Júri popular de acusada de matar grávida e roubar recém-nascida é marcado em João Pinheiro

Mara Cristina Ribeiro, de 23 anos, estava no 8º mês de gestação e foi morta em 2018. Angelina Ferreira foi indiciada por dar parto alheio como próprio, subtração de incapaz e homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel.

Júri popular de acusada de matar grávida e roubar recém-nascida é marcado em João Pinheiro
Foto: G1 triangulo
Júri popular de acusada de matar grávida e roubar recém-nascida é marcado em João Pinheiro

O júri popular de Angelina Ferreira, acusada de ter matado uma jovem grávida para roubar a filha dela em João Pinheiro, no Noroeste de Minas em 2018, está marcado para o dia 11 de maio, de acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Mara Cristina Ribeiro, de 23 anos, foi encontrada morta no dia 16 de outubro de 2018. Ela estava grávida de oito meses, desapareceu um dia antes, na mesma data em que a acusada, na época com 40 anos, foi até a Santa Casa de João Pinheiro com uma recém-nascida e mentiu para os médicos dizendo que a filha era dela.

A decisão pelo júri popular ocorreu em 2020, mas o julgamento ainda não tinha data definida. Angelina Ferreira deve responder por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e pelo fato de se tratar de uma mulher.

De acordo com a sentença, os jurados vão decidir ainda se a ré cometeu o crime de dar parto alheio como próprio e subtrair incapaz. Ela segue presa preventivamente desde agosto de 2019, após expedição de mandado de prisão.

 

O que diz a defesa

 

Em nota, a defesa de Angelina disse ter plena convicção de que a ré padece de enfermidade mental.

"Nesse tocante, existem questões de suma importância para o esclarecimento da verdade real dos fatos, no que diz respeito às pessoas que eventualmente participaram deste crime. A defesa ainda salienta que, qualquer crítica sofrida por representar a ré é compreensível, tendo em vista a gravidade que o fato representa para o meio social".

Entenda o caso

 

Segundo o Boletim de Ocorrência, Angelina Ferreira chegou com o marido e a recém-nascida na Santa Casa de João Pinheiro, no dia 15 de outubro de 2018, apresentando estar nervosa e alegando que havia acabado de dar à luz. Mas por estar caminhando normalmente e se recusar a fazer exames clínicos os funcionários desconfiaram e acionaram a Polícia Militar (PM).

No hospital, os militares colheram informações convenceram a mulher a realizar o exame médico. Entretanto, durante o procedimento, ela confessou que a recém-nascida não era filha dela, mas de uma jovem de 23 anos, Mara Cristina Ribeiro.

A recém-nascida foi levada para o Hospital São Lucas, em Patos de Minas, passou por exames e tinha o quadro de saúde estável.

Buscas foram feitas pela polícia e moradores e o corpo da vítima foi encontrado no dia seguinte. Ela estava em uma área de reserva próxima à BR-040. Segundo informações da Polícia Civil, a vítima estava amarrada pelo pescoço com um arame e tinha um corte na barriga feito para retirar o bebê.

 

Duas versões

 

Durante as investigações da Polícia Civil, Angelina apresentou duas versões sobre a morte de Mara. Primeiro, ela relatou que horas antes ambas foram até um bairro da cidade e encontraram uma outra mulher.

Ela contou ainda que ficou às margens da BR-040 enquanto a grávida e a mulher entraram no matagal; que pouco depois apenas outra pessoa apareceu com uma recém-nascida nos braços e pediu para que Angelina a levasse para o hospital imediatamente. Angelina ainda passou em casa, trocou de roupa que estava suja de sangue, e foi para o hospital.

Depois, em depoimento à Polícia Civil, Angelina confessou o crime e negou a participação do marido e de uma terceira pessoa no caso, conforme ela havia dito na primeira versão dos fatos.

 

“Ela confessou que atraiu a jovem para as margens da BR-040 e lá a dopou com álcool, enforcou ela com fio de metal, pendurou na árvore e abriu a barriga dela para tirar o recém-nascido,” informou o delegado Carlos Henrique.

 

Ainda em depoimento, conforme o delegado, a autora disse que percebeu que a jovem estava viva quando ela retirou a menina.

De acordo com a Polícia Civil a mulher falava que estava grávida, o que não se confirmou através dos exames que foram feitos nela. “Acreditamos que ela possa ter premeditado este crime, agindo juntamente com o marido,” informou o delegado.

 

Contato entre a vítima e a ré

 

Euza Ribeiro, tia da vítima, disse à epoca do crime, que o relacionamento entre Angelina Ferreira e a sobrinha se intensificou quando Mara soube que estava grávida. “A mulher sempre sonhou em ter uma menina e quando ela viu que minha sobrinha engravidou ela começou oferecer ajuda. Emprestou dinheiro para fazer ultrassom e ontem [dia do crime] falou que iria comprar o enxoval para ajudar”.

 

Investigações

 

A Polícia Civil encerrou o inquérito do caso no dia 25 de outubro do mesmo ano. De acordo com o delegado Anderson Rosa, Angelina foi indiciada pelos crimes de dar parto alheio como próprio, subtração de incapaz e homicídio qualificado pelo motivo fútil, meio cruel, à traição e mediante emboscada e ocultação de outro crime.

Ainda conforme o delegado, o marido de Angelina, que também estava preso preventivamente, não foi indiciado, pois ficou indicado que ele não teria tido participação no crime.

As investigações apontaram também que não houve participação de terceira pessoa. “Ela conseguiu amarrar a grávida porque a atraiu para local ermo e em dado momento a atacou jogando álcool no rosto e passando o arame no pescoço dela, pressionando até que desmaiasse. Angelina é maior e mais forte que a Mara”.

 

Causa da morte

 

Segundo o delegado Anderson Rosa, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte de Mara foi "anemia hemorrágica interna e externa", o que indica que a vítima ainda estava viva quando a recém-nascida foi retirada do ventre. Ainda segundo o laudo, não houve asfixia como causa da morte

 

Fonte: G1 Triangulo e Alto Paranaiba